Parte 92 - Largando a Peruca

Antes, veja o resumo das postagens anteriores (ou vá direto à postagem no final):
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Minha mama começou a sangrar espontaneamente: Parte 1
Os primeiros médicos não encontravam a causa do sangramento enquanto ele aumentava: Parte 2
Algumas pessoas, na tentativa de ajudar, acabavam atrapalhando: Parte 3
Mais 4 médicos não conseguiram diagnosticar o meu problema: Parte 4
Veja o que os planos de saúde são capazes de fazer para atrapalhar o seu tratamento: Parte 5
O último médico decidiu fazer uma cirurgia e eu resolvi procurar uma segunda opinião: Parte 6
A médica-anjo pediu outra ultrassonografia, mas o resultado foi que tudo estava normal: Parte 7
Aconteceu a coisa mais importante e surpreendente de todo o meu tratamento: Parte 8
A médica-anjo pediu uma ressonância e uma nova citologia e me encaminhou para o 8º médico: Parte 9
Depois de muita luta consegui a autorização para a ressonância: Parte 10
A ressonância só mostrou um a área estranha: Parte 11
A médica-anjo indicou que eu fizesse uma cirurgia com o médico grosso: Parte 12
Deus fez mais um milagre e minha médica indicou que eu fizesse uma Core Biopsy: Parte 13
O médico grosso se negou a prescrever a Core Biopsy: Parte 14
Resolvi pagar pela Core Biopsy: Parte 15
Fiz a Core Biopsy: Parte 16
Descobri que tinha câncer e fiquei desesperada: Parte 17
Confirmei com a médica que eu tinha mesmo câncer e continuei desesperada: Parte 18
Encontrei meu namorado, contei aos meus pais e me despedi da vida: Parte 19
Lembrei que Deus tem um propósito para tudo, fui para uma festa e me diverti: Parte 20
Superando a notícia: Parte 21
Minha cirurgia será radical: Parte 22
Desabafei a dor em lágrimas: Parte 23
Desabafei com amigas e voltei ao trabalho para esquecer: Parte 24
Fui me preparando para a cirurgia, pesquisando sobre reconstruções e me acalmando ao ver plásticas perfeitas: Parte 25
No dia anterior a cirurgia fiz dois exames: uma linfocintilografia e um agulhamento: Parte 26
Finalmente me internei e passei a noite muito nervosa: Parte 27
Levaram-me para a cirurgia: Parte 28
Fiquei um tempo esperando no corredor do bloco cirúrgico: Parte 29
Entrei na sala de cirurgia e apaguei com a anestesia: Parte 30
Na volta da anestesia senti frio e era difícil me manter acordada: Parte 31
Falava dormindo e continuava sem conseguir ficar acordada: Parte 32
Recebi visitas da minha médica, meu pai, meu namorado e algumas amigas: Parte 33
Estava cada vez mais agitada e querendo me levantar. Lutei para fazer xixi e evitar a sonda: Parte 34
Tomei uma sopa com cuidado para não ficar enjoada, levantei e finalmente fiz xixi: Parte 35
Tomei o restante da sopa e estava me sentindo muito bem: Parte 36
Cuidei bastante do dreno e tentei movimentar o braço: Parte 37
Não tive coragem de ver a troca de curativos: Parte 38
Preocupei-me com o dreno, recebi visitas e fiquei sabendo das histórias de quando eu estava anestesiada: Parte 39
Por causa da minha idade, eu fui o caso mais comentado do hospital: Parte 40
Passei o dia ansiosa pela alta: Parte 41
Recebi alta, tive consultas semanais com a mastologista, iniciei a fisioterapia e fiz exames para levar ao oncologista: Parte 42
Soube que tenho a chance de não poder mais engravidar depois da quimioterapia: Parte 43
Tive que decidir entre congelar óvulos e piorar do câncer ou não congelar e talvez não poder engravidar: Parte 44
Meu namorado não se abalou com a possibilidade de infertilidade: Parte 45
Questionei Deus e marquei uma consulta com um especialista em fertilidade: Parte 46
O especialista em reprodução humana me aconselhou e não congelar óvulos: Parte 47
Tive a última consulta com minha médica-anjo, que me indicou uma especialista em fertilidade: Parte 48
O especialista me aconselhou a não congelar óvulos. Pesquisei muitos dados sobre fertilização: Parte 49
A nova especialista em fertilidade preferia ganhar dinheiro fácil do que cuidar da minha saúde: Parte 50
Decidi não congelar óvulos: Parte 51
Comprei uma prótese mamária e um sutiã especial: Parte 52
A fisioterapia me ajudava com o braço e com a aceitação do problema: Parte 53
Antes da quimio tirei minhas dúvidas com o médico: Parte 54
O oncologista me explicou todos os detalhes e as enfermeiras era muito gentis: Parte 55
Tomei a quimioterapia e só senti dor de cabeça: Parte 56
Algumas horas depois da quimio fiquei enjoada e vomitei: Parte 57
3 dias de reações da quimio: enjoo, febril, sono, dor de cabeça, indisposição, ... : Parte 58
Senti muita dor no estômago por dias seguidos: Parte 59
Curei minha dor no estômago, lidei com outros problemas e arrisquei passear: Parte 60
Fiquei careca: Parte 61
A segunda sessão de quimio foi igual a primeira. Por isso, eu chorei: Parte 62
Curei minha dor no estômago e fui à psicóloga: Parte 63
Consultei a nutricionista e fiz a terceira quimio: Parte 64
Na quarta sessão de quimio meu médico já era como um amigo: Parte 65
Tive que ir me inernar: Parte 66
Fiquei muito irritada porque as coisas pioraram: Parte 67
Foi difícil encontrar um hospital que aceitasse me receber. Ao menos o meu oncologista-anjo estava me assistindo muito bem: Parte 68
Fiquei internada na UTI: Parte 69
Depois de muito estresse, saí da UTI e fui para o quarto: Parte 70
Com muita dificuldade consegui receber alta: Parte 71
Após receber alta continuei angustiada e me sentindo feia: Parte 72
Passei a chorar por estresse, por estar cansada de ser doente: Parte 73 
Pude dar testemunho do amor de Deus por nós: Parte 74
Passei o final de semana em um evento, fiquei gripada e a quimio foi adiada: Parte 75
Tive que fazer um escândalo para o plano de saúde liberar minha medicação: Parte 76
Tive que insistir para tomar minha medicação. Além de todas as reações, perdi parte do paladar e fiquei com muita fraqueza nas pernas: Parte 77
De tanto faltar a fisioterapia, fiquei com problemas no braço. Também descobri a Menopausa: Parte 78
Meu oncologista confirmou minha menopausa. E convivi com a ansiedade pelo fim do tratamento: Parte 79
As reações pioraram na 6ª seção de quimio e passei a precisar de ajuda para tudo: Parte 80
Quase me internei novamente por causa de outra febre: Parte 81
Soube que precisaria fazer radioterapia. Dias depois acordei livre de boa parte das reações da quimio: Parte 82
Escrevi uma carta de agradecimento a alguns dos amigos que me ajudaram durante o tratamento: Parte 83
Continuação da carta de agradecimento: Parte 84
Comemorei várias vezes o fim da quimio: Parte 85
Aprendi várias lições durante a quimioterapia: Parte 86
Tive o natal e o ano novo com mais significado da minha vida: Parte 87
Comemorei meu aniversário, fiz as marcações da radioterapia e conheci meus primeiros cachorrinhos: Parte 88
Descobri que ter um cachorro é uma ótima terapia: Parte 89
Recebi alta da radioterapia: Parte 90
Tive que aprender a viver com a menopausa: Parte 91
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Um mês e meio depois de receber alta do tratamento, voltei a trabalhar. Eu sou o tipo de pessoa que se adapta facilmente a quase todos os tipos de situações, e isso tem um lado bom e um lado ruim. Foi essa facilidade que me fez me adaptar, aceitar e superar o tratamento. Tive que me adaptar, inclusive, a ficar em casa sem fazer nada. No início foi difícil, mas depois fui me adaptando, encontrando coisas pra fazer e descobrindo que também pode ser muito legal não trabalhar. Então, eu já esperava que fosse ser um pouco estressante voltar à rotina do trabalho. Acordar cedo sempre foi a pior parte.

Nos primeiros meses de volta ao trabalho eu fiquei muito estressada. Eu não sabia se era por causa da menopausa, ou por causa do estresse do tratamento, ou ambos. Eu me irritava com muita facilidade e frequentemente falava de modo agressivo com as pessoas. Eu estava tão chata que nem eu mesma aguentava. Foi aí que decidir parar de ficar estressada. Comecei a fazer de tudo para não me estressar e para me distrair. Comprei um videogame e passei a assistir vários filmes e séries. Isso tudo junto com muito autocontrole ajudou na minha readaptação.






"O amor tem a capacidade de fazer os pedaços despedaçados voltarem a ser inteiros!" Padre Fábio de Melo.

O meu cabelo tinha em torno de 6 cm quando decidi abandonar a peruca. Eu poderia ter esperado mais, porém, minha peruca estava ficando estragada e feia. E como meu cabelo já estava crescendo, não fazia sentido comprar outra. Assim, decidi aposentar minha peruca. Quando eu era pequena meu cabelo era loiro, e na adolescência ele foi escurecendo. Descontente com essa situação, comecei a pintar e não parei mais. Até a minha peruca foi loira. Porém, meu cabelo nasceu castanho dessa vez, bem mais escuro do que antes. Como cabelos claros evidenciam as falhas, decidi deixá-lo escuro mesmo e só clarear quando estivesse com um bom tamanho. Pesquisei vários cortes de cabelo curtíssimos. Para minha sorte esses cortes estavam na moda. Percebi que esse corte ficava lindo nas várias mulheres que pesquisei. Eu só não achava bonito em mim, então me convenci de que isso era uma questão de costume. Assim como foi difícil me acostumar com a peruca, será estranho me acostumar com o cabelo curto.

Só algumas semanas depois tive coragem de ir ao salão e fazer uso das químicas para suavizar os cahinhos. Tive pena de maltratar meus cabelinhos macios e fininhos como os de bebês, mas adorei o resultado (fotos acima e ao lado) e foi assim que tive coragem de abandonar a peruca. Passei o final de semana testando os penteados e quando finalmente um deles me agradou, eu tirei fotos e mandei para minhas amigas. Meu namorado aprovou a mudança e minhas amigas também. Então eu tive coragem de sair sem peruca. É claro que eu saí com muito medo de me arrepender e passar o dia feia no trabalho. Usei maquiagem e brincos para me deixar mais feminina e pelo que percebi minha mudança agradou todo mundo.

Próxima postagem: Parte 93

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